19/03/2025
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU-RJ) tem diversas histórias de mulheres que são bem-sucedidas exercendo funções majoritariamente ocupadas por homens. Condutoras de ambulâncias e motolâncias circulam pelas ruas da capital diariamente salvando milhares de vidas e chamando a atenção pelo pioneirismo em suas funções.
“Aqui no SAMU capital, temos orgulho de romper as barreiras de gênero, proporcionando que mulheres conquistem cada vez mais espaço em algumas funções, que antes eram ocupadas apenas por homens. Nesse contexto, posso destacar que as condutoras de ambulância e de motolâncias desempenham com maestria todas as atribuições referentes às funções. E, mesmo que ainda não sejamos o grupo majoritário de profissionais, o SAMU RJ atualmente reúne quase mil mulheres, que são distribuídas em diversas categorias como enfermeiras, médicas, técnicas de enfermagem e profissionais administrativas”, destaca a coordenadora geral do SAMU RJ, Bárbara Alcântara, que é a primeira profissional feminina também no cargo principal de chefia.
Lotada na UPA Realengo, Simone Alves Gomes, 40 anos, tem cinco anos de atuação na motolância do SAMU-RJ. Excelente piloto de motocicleta, é “águia”, ou seja, pilota na frente, abrindo caminho para sua dupla. Já passou inúmeras situações de emergência, com diversas histórias de salvamento no currículo. “Não existe sexo frágil aqui no SAMU-RJ. Nós, que somos das equipes da motolância, chegamos primeiro nos locais das ocorrências, prestando o primeiro atendimento. É muita adrenalina diária porque precisamos driblar o trânsito do Rio de Janeiro para salvar vidas. Gosto demais do meu trabalho”, disse Simone, que tem um filho.
A motolância Gildeise dos Santos Conceição, 37 anos, atua desde novembro de 2022 na função. Sempre foi muito apaixonada por motocicletas e decidiu prestar o concurso para unir a técnica de pilotar com a enfermagem. Mãe de dois filhos, Calebe, de 10 anos, e Pedro, de 9 anos, casada, ela é lotada na UPA Guaratiba. “Quando chegamos para o atendimento na casa dos pacientes ou na rua, percebemos os olhares de admiração da família, e isso é muito gratificante. O nosso dia a dia é corrido, com muita velocidade e trânsito, mas amo o que eu faço, é um sonho realizado”, afirma Gil.
O desafio de dirigir uma ambulância avançada em situações de emergências extremas não amedronta a condutora Aparecida Fernandes Lucas, condutora, de 46 anos, que trabalha há seis anos na função e tem um ano de SAMU-RJ. Chamada de Cida pelos amigos, ela se apaixonou pelo ofício ainda jovem. “Quando eu via uma ambulância na rua, sempre dizia que gostaria de dirigir um veículo assim. Ninguém acreditava que pudesse conseguir”, brinca a condutora, que tem uma filha de 21 anos e já dirigiu transporte escolar. “Meus olhos brilham de emoção quando chegamos na casa de alguém e percebemos a esperança que a família deposita em nosso atendimento. Quando a pessoa te dá um abraço no final é inexplicável. Eu amo o que eu faço”, ressalta Cida.
“É tão incomum encontrar uma mulher dirigindo a ambulância que sempre sou confundida com médica ou enfermeira pelos pacientes”, diverte-se a condutora Ristiane Tavares Neto, 43 anos, que já viveu situações de preconceito com a profissão, mãe de 2 filhas, de 24 e 18 anos. “O preconceito sempre vai existir porque somos mulheres em uma função que ainda é vista como masculina. Mas, quando você se depara com uma criança em um atendimento e consegue salvar a vida dela, tudo isso fica para trás. Contribuir para que uma vida seja salva é o mais significativo para a gente”, confessa Ristiane.
Atualmente, o SAMU conta com 30 motolâncias que operam em duplas de profissionais de enfermagem. No município do Rio de Janeiro, as motocicletas atuam desde janeiro de 2021 e já realizaram mais de 20 mil atendimentos.
Crédito: Maurício Bazílio/SESRJ